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ENTREVISTA DO MÊS
Segunda-feira, 12 de Fevereiro de 2018

O presidente da Cooperoeste explana sobre como foi 2017 para o setor lácteo e as perspectivas para este ano. Celestino Persch também comenta sobre a Assembleia Ordinária da cooperativa, que acontecesse em março 

 

-Como se portou o setor lácteo no ano passado?

Celestino: Não foi um bom ano. O cenário não se altera desde 2016. Naquele ano o segmento vivenciou dois meses ótimos (junho e julho) tanto para as empresas quanto para os produtores. No entanto, de lá para cá, principalmente em relação ao leite longa vida, o cenário só piorou, incluindo o começo de 2018. Em alguns meses, no ano passado, amargamos prejuízos de até R$ 0,40 (quarenta centavos) por litro vendido.

 

-Na sua avaliação quais os motivos do segmento não reagir?

Celestino: Acredito que o principal fator é a situação política/econômica do país. Tanto é que no começo deste ano a Agência de Classificação de Risco Standard & Poor’s rebaixou a nota do Brasil novamente. Acredito que este e outros fatores faz com que o país esteja passando por uma crise pior que as empresas. E isso está diretamente ligado com o consumo. Devido à crise – e a falta de dinheiro -, muitas pessoas, principalmente os pobres, deixaram de consumir leite. Outra questão é a desigualdade. Dados recentes informam que o número de bilionários, no Brasil, passou de 31 para 44 no ano passado, sendo que cinco deles detêm o equivalente a 50% da população. Isso tudo interfere no nosso setor. A questão da importação existe, mas é mínima, praticamente insignificante. Os produtores precisam se atentar a essas situações. Outro exemplo é que o consumo de iogurte, que não é um produto tão essencial quanto ao leite, baixou em 2017 em relação a 2008. Ou seja: dez anos atrás se consumia mais.  

 

-E em relação a produção?

Celestino: Este é outro problema. Enquanto no Brasil, principalmente em Santa Catarina, especialmente em nossa região, a produção de leite aumenta o consumo diminui. Então se o produtor aumentar a produtividade, a indústria terá que fazer o mesmo, porém do que adianta se as vendas não aumentam? Isso quer dizer que aumentar a produção não é a solução, já que, mesmo o valor sendo a metade do que o praticado em meados de 2016, o consumo reduziu 10%.

 

-Na opinião do senhor qual, então, seria a solução a curto prazo?

Celestino: Uma é melhorarmos significativamente a qualidade visando a exportação. Outra seria a redução entre 10% e 15% da produção. Importante salientar que, observando o panorama dos últimos anos, o segmento era dividido em três etapas. Em uma, no inverno, tinha lucros. Em outro, no verão, prejuízos e, numa terceira, ‘empatava’. Agora, porém, isso não se registra mais. Em todas épocas do ano não há lucratividade. E isso, conforme dados nacionais da MilkPoint, ocorre com todas empresas lácteas do Brasil que fecharam 2017 com prejuízos entre R$ 0,25 (vinte e cinco centavos) e R$ 0,50 (cinquenta centavos) por litro de leite longa vida vendido. E o produtor precisa saber disso. Além disso, além do preço pago ao produtor, a indústria tem os custos de produção como a embalagem, impostos, pagamento de funcionários, logística, entre outras despesas. Mesmo assim, esperamos que após o Carnaval – quando efetivamente o ano começa – o setor reaja, mesmo que isso não tenho ocorrido nos últimos dois anos, pelo menos.

 

-Em março haverá a Assembleia Ordinária, com a substituição de dois membros do Conselho Diretor. Como está essa situação?

Celestino: Todo início de ano a direção faz o planejamento. Neste,no entanto, estamos mais concentrados e trabalhando muito nesse sentido.  Tanto é que os membros do Conselho Diretor que, geralmente, nesta época se revezavam em períodos de férias de dez dias cada um seguem trabalhando. Queremos elaborar um plano minucioso, considerando o atual cenário, analisando o que podemos produzir - e a quantidade -  para, ao menos, amenizar os prejuízos e continuar no mercado. Também estamos avaliando todos os setores. Outra intenção é a implementação de uma fábrica de queijos. As reuniões acontecem praticamente todos os dias. Na Assembleia, o planejamento será apresentado para avaliação dos associados que aprovarão ou não.  Importante salientar que neste ano haverá eleições e dois integrantes do atual Conselho Diretor - formado por cinco pessoas - terão que se desincompatibilizar de suas funções, ou seja: deixar o Conselho. Estamos debatendo essa questão, visando a composição da chapa de situação, lembrando que os associados têm a liberdade de formular chapas para concorrer, se houver interesse. Também há as discussões do processo para a criação da comissão eleitoral para conduzir os trabalhos.

 

Algo mais que queira dizer?

Celestino: Por mais difícil do atual cenário, não podemos perder as esperanças. Outros setores também enfrentam dificuldades. Penso que para a situação melhorar é imprescindível resolver a crise econômica/partidária que o país está passando. O atual modelo está prejudicando as empresas. E sabemos que se não mexer na classe rica, nos poderosos, nunca haverá mudanças. Enquanto essa situação persistir todos serão atingidos (indústrias, empresas, empregados, produtores e, principalmente, os pobres). Temos que lutar, pois a recessão só cresce. Espero que não se confirme, mas, pelo visto, este ano, até as eleições, a tendência é que aumente ainda mais. Precisamos estar preparados. Não podemos ficar de braços cruzados esperando que as soluções caiam do céu.

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