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Acadêmicos veterinários fazem estágio na Cooperoeste
Quarta-feira, 29 de Novembro de 2017

Dois acadêmicos de Medicina Veterinária acompanharam veterinários da Cooperoeste em atendimentos a produtores. Isso é requisito para conclusão do curso. Um ficou 55 dias. Outro 16. Esta não é a primeira vez que futuros veterinários aprendem a prática com profissionais da cooperativa. O mesmo ocorreu em várias outras oportunidades.

Desta vez, no entanto, um fato chamou a atenção. Um dos estudantes está se formando numa universidade do Espírito Santo. O curioso é que ele morava no Assentamento Conquista na Fronteira, em Dionísio Cerqueira.

Trata-se Deangelo Dinielo Dreyer. Ele conta que desde criança esteve envolvido com movimentos sociais e, com o passar do tempo, percebeu que também era necessário se capacitar profissionalmente. “A partir deste momento decidi que cursaria Medicina Veterinária”, relata.

Dreyer menciona que fez o Exame Nacional de Ensino Médio (Enem) e prestou vários vestibulares, sendo aprovado no Centro Universitário do Espírito Santo. Ele, hoje com 28 anos de idade - iniciou o curso com 23 -, diz que optou por em estagiar na Cooperoeste justamente pela empresa ser fruto da reforma agrária e movimentos sociais. 

EXPERIÊNCIA

Entre as diferenças do Espírito Santo e nossa região, Dreyer expõe que, ao contrário do Extremo Oeste de Santa Catarina, onde a principal atividade agrícola é a produção de leite, no Estado capixaba os destaques são o cultivo de café e a extração de pedras preciosas, mármore e granito. Menciona, também, o exorbitante calor.

Além disso, o futuro veterinário comenta sobre a diferença cultural. “O funk e outros estereótipos da mídia são pesados”, revela. “Não há o costume, como ocorre por aqui, de as famílias produzirem alimentos como, por exemplo, pão, queijo, salame e outros produtos”, acrescenta.

Mesmo sendo oriundo de um assentamento e de outro Estado, o acadêmico afirma que nunca sofreu qualquer tipo de preconceito.  Diz, ainda, que, devido à distância e custos da viagem, durante o período que frequentou o cursou visitava a família duas vezes anualmente. “Num ano, no entanto, não deu para vê-los”, lamenta.

 

APRENDIZADO SUPEROU AS EXPECTATIVAS

O futuro veterinário relata que seus estágios obrigatórios estavam praticamente cumpridos, mas, mesmo assim, quis adquirir conhecimentos sobre gado leiteiro. “E consegui unir o útil ao agradável, pois estagiei numa cooperativa que é reconhecida a nível mundial em relação a reforma agrária”, enaltece. E acrescenta: “Se soubesse que seria uma riqueza tão grande, que seria bem inserido, tendo esse contato direto tanto com o pessoal da organização quanto com os produtores e equipe técnica, teria realizado minhas 500 horas aqui. Infelizmente foram 120 horas”. E vai além; “Minha avaliação é de 100%. Superou em muito todas as minhas expectativas”.   

 

PLANOS PARA O FUTURO     

Dreyer revela que seu desejo é retornar à região, porém, como recém formado, não recusará propostas de outros lugares.  “Quero começar a trabalhar o quanto antes”, diz, de forma entusiasmada. Comenta, ainda, que segue com sua ideologia, mas sabe diferenciar profissão com posição social e política.

 

OUTRO ESTAGIÁRIO É DE ITAPIRANGA

O outro estagiário, Jean Carlo Rambo Felten, é natural e reside em Itapiranga, cidade onde realizou o curso na Faculdades de Itapiranga (FAI). Ele conta que desde criança sempre teve uma forte relação na área rural e, consequentemente, com animais. “Isso foi determinante por optar pela Medicina Veterinária, pois cheguei a pensar em cursar Direito”, conta, acrescentando que agora tem certeza que fez a escolha certa. “Senti, logo no início, que é minha vocação”, afirma. Apesar de morar no interior do município, seus pais sempre trabalhara na cidade. Ele ingressou na universidade com 19 anos de idade. Hoje tem 24.  

 

SOBRE O CURSO

O futuro médico-veterinário diz que o curso - cinco anos/manhã e tarde - reúne muita teoria e técnica. Ele destaca que, diferente do ser-humano, o animal não fala e para detectar qual a doença que o afeta é preciso, além dos relatos do proprietário, se atentar aos sinais clínicos. “A partir disso, é necessário elaborar um diagnóstico para descobrir qual é, de fato, a enfermidade”, comenta, acrescentando que se basear apenas pelos sintomas não é um método 100% seguro.

 

TRABALHAR NUM CENTRO MAIOR

Felten revela que pretende exercer a profissão num centro maior. “Quero conhecer novas culturas e metodologias diferentes para expandir meus conhecimentos”, explana. O jovem itapiranguense diz que está consciente que uma das barreiras que irá enfrentar é a resistência dos agricultores a novos modelos de trabalho. Ele comenta que já é difícil convencer seu pai a mudar certos hábitos na propriedade rural da família. “Imagina, então, com pessoas que não conheço”, raciocina. Para superar esta situação, no seu entender, é preciso muito diálogo e demonstrar, aos poucos, que os resultados são eficazes. “Forçar que o produtor faça algo não adiantará”, assinala.

O estagiário cita, como exemplo, o manejo de nutrição de vacas leiteiras. Para ele, a melhor forma do produtor inserir novos conhecimentos é explicar que existem outras maneiras e acompanhar o manejo nutritivo dos animais. Posteriormente, comparar a produção com o método antigo e com as novas técnicas. “Então ele se convencerá que a mudança trouxe resultados positivos”, acrescenta. E reitera: mas é um trabalho minucioso, que tem que ser feito com calma.


A ESCOLHA PELA COOPEROESTE

Jean Carlo Rambo Felten diz que optou por estagiar na Cooperoeste por que ouviu inúmeros comentários enaltecendo a empresa e seus veterinários. Além disso, segue ele, a cooperativa nasceu por causa da luta do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e é a maior referência da reforma agrária no Brasil. “Foi a oportunidade de conhecer uma visão diferenciada”, acrescenta. “Sempre morei em Itapiranga, e o estágio colaborou no meu crescimento pessoal e profissional por ser num lugar onde os costumes são diferentes”, complementa.

*Foto: da esq. p/ dir.: estagiários Deangelo Dinielo Dreyer e Jean Carlo Rambo com o médico-veterinário Marcos Foss da Silva. 

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