NOTICÍAS
Fique por dentro das principais notícias da Terra Viva e acompanhe tudo que acontece na área da alimentação, saúde e tendências de mercado.
Filial da Cooperoeste de Abelardo Luz promove seminário de produção de leite
Quarta-feira, 30 de Agosto de 2017

A filial da Cooperoeste de Abelardo Luz promoveu - dia 18 de agosto - um seminário sobre produção de leite. O tema foi gestão de desenvolvimento da atividade leiteira.  O evento aconteceu no salão do Assentamento 25 de Maio. Mais de 100 pessoas participaram. A atividade iniciou por volta das 09h15, com as inscrições e café da manhã, e se estendeu até às 16h30. Também foi oferecido almoço aos participantes. Seis palestrantes explanaram sobre várias situações.

O secretário adjunto da Agricultura e da Pesca de Santa Catarina, Airton Spies, falou sobre ‘Perspectivas e Desafios da Cadeia Produtiva do Leite’. Ele usou a expressão “bons problemas” para definir o que pensa sobre a   previsão do segmento lácteo no Brasil – principalmente para a  região Sul. No seu entender, é necessário melhorar a qualidade, diminuir custos de produção e organizar a logística. “Isso fará com que o leite brasileiro compita com o estrangeiro e, consequentemente, conquiste mercados externos e a aumente a  exportação” , opina, acrescentando que o potencial de produção no país é muito superior que o de consumo.

Segundo o secretário adjunto, a produção de leite no Brasil  aumenta todos os meses  por que os agricultores estão investindo em tecnologia, melhoria de genética e alimentação.

Airton Spies enfatiza que a exportação é um dos melhores caminhos já que o mundo só tem a metade do leite que deveria ter. “Hoje a média mundial é que cada pessoa consome 100 litros de leite por ano. O recomendado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) é que se consuma, no mínimo, 200 litros”, informa.

 

PRODUÇÃO CATARINENSE EM ASCENSÃO     

O secretário adjunto menciona que a produção de leite em Santa Catarina aumentou e, em 2016, ultrapassou a de Goiás, ocupando – hoje -  a quarta colocação. Minas Gerais é o primeiro, Rio Grande do Sul o segundo e Paraná o terceiro. A média de crescimento é de 10% / ano. De 2003 até 2016 o aumento no Estado foi de 150%. Na visão de Spies, a tendência é que o crescimento continue já que os produtores estão investindo, principalmente no melhoramento genético, manejo e alimentação. “Através das orientações dos técnicos, os agricultores estão aprendendo a produzir e tratar pasto como se fosse lavoura”, assinala. Por isso - e outros fatores -, o secretário acredita que o leite é forte candidato para se tornar a ‘nova estrela’ da agricultura catarinense  

Spier chama a atenção para a qualidade que é essencial, mas, mesmo trabalhando há anos nesta questão, infelizmente, foram registrados pequenos avanços e  está longe de atingir o padrão estabelecido pela Instrução Normativa do Ministério da Agricultura e que o mercado global irá cobrar.

Outra aspecto, conforme o secretário, é a sanidade do rebanho. “É preciso erradicar a brucelose e tuberculose, pois são zoonoses que passam dos animais para as pessoas”, destaca. Segundo ele, outros países já conseguiram e Santa Catarina está muito próxima de alcançar os padrões exigidos pela OMS. “Temos tudo para conseguir, pois já fizemos isso com a febre aftosa”, exemplifica.

Spies alerta que o produtor que não se adequar às normas de qualidade será excluído, pois o mercado não vai tolerar qualquer tipo de leite.   

 

COMPARAÇÃO COM NOVA ZELÂNDIA E AUSTRÁLIA

Airton Spies conta que morou dois anos na Nova Zelândia onde fez o seu mestrado e quatro anos na Austrália durante o doutorado. Ele diz que, nestes países, aprendeu muito com a produção de leite - considerado um dos melhores do mundo em relação a qualidade.  “Existem muitas lições que podemos aprender lá e transpor e adaptar à nossa realidade”, afirma. “Os princípios e fundamentos que eles aplicam, caem como uma luva  no nosso sistema de produção”, complementa.

Para o secretário, uma forma de aplicar o mesmo modelo é conhecer os métodos destes países, por meio de missões com produtores, técnicos e veterinários, além de dirigentes de empresas e entidades. “Eu já coordenei 11 missões e muito do que foi aprendido lá está sendo aplicado em propriedades no Brasil”, revela.

No entender de Spies, essa é uma ideia que precisa ser fomentada através de parcerias entre órgãos públicos, empresas privadas e produtores.     

 

OSCILAÇÕES

Em relação as constantes oscilações no preço do leite - pago ao produto e recebido pela indústria – e, principalmente, a crise que afeta o sector lácteo há mais de um ano, o secretário adjunto da Agricultura e da Pesca de Santa Catarina atribui a atual crise política/econômica que o país atravessa. Como exemplo, ele cita que hoje há no país 14 milhões de pessoas desempregadas e isso gerou redução no consumo.

Ainda, segundo Airton Spies, em meados do ano passado, os preços foram bons devido à seca na região central do país que comprometeu a produção em vários Estados – entre eles Minas Gerais e Goiás, dois  grandes produtores de leite. “Para se ter ideia da dimensão da queda, depois de 20 anos de crescimento na produção foi registrado diminuição, por causa do fenômeno climático”, destaca. Com isso, prossegue Spies, aconteceu o que denominamos de ‘ponto fora da curva’ – preços elevados pagos ao produtor, devido ao desabastecimento.

         

 

PREVISÃO OTIMISTA

Apesar do momento turbulento, o secretário acredita que os preços voltarão à normalidade, com aumento no consumo e, principalmente, redução na importação de lácteos. “Inclusive realizamos uma audiência pública no Congresso para debater a situação. O ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Blairo Maggi, está aguardando um documento para orientá-lo para resolver problemas de competição desleal com a importação”, informa. 

Airton Spies está convicto que o leite irá sobreviver a esse momento desfavorável. E vai além: “O Sul do Brasil – que tem o privilégio de produzir pastagens o ano inteiro – será, cada vez mais, a região modelo no segmento lácteo. 

 

“Produtor pode ser orientado pelo melhor técnico do mundo, mas se não fizer sua parte nada acontecerá”, diz palestrante 

O representante da Cooperativa Para Inovação e Desenvolvimento da Atividade Leiteira (Cooperideal), com sede em Londrina, PR, Marcelo Rezende, palestrou sobre ‘Gestão e Desenvolvimento da Propriedade Leiteira’. Ele menciona que o objetivo da assistência técnica é auxiliar o produtor a explorar o potencial da propriedade e usar os fatores de produção de maneira mais eficiente como, por exemplo, produzir mais numa mesma área. “Os técnicos trabalham, principalmente, na gestão das propriedades, já que a maioria não têm nenhum controle do que é feito”, salienta. Nesse sentido, acrescenta Rezende, a função do técnico é fundamental para que a atividade se torne mais rentável.

 

MAIS VACAS EM LACTAÇÃO 

Rezende lembra que  vacas em lactação são as responsáveis pela geração de renda, porém, a maior parte das propriedades têm uma porcentagem muito baixa em relação ao total do rebanho. “É preciso melhorar este índice. E isso é possível colocando mais animais em lactação. Desta forma haverá maior produção e rentabilidade”, aconselha.

De acordo com o palestrante, normalmente o produtor segura todos os animais que nascem e, por falta de renda, não os cria de forma adequada. Ele acrescenta que muitos agricultores ainda não se desvencilharam de métodos ultrapassados. “Por isso é interessante que estes produtores visitem outros, que tinham uma realidade semelhante com a deles, e constatar os ganhos com as alterações”, sugere.

A partir disso, junto com as orientações do técnico, aplicar as tarefas. “Mas é essencial seguir as dicas do técnico”, observa. Segundo Rezende, muitos trabalhos não são efetivos por que o agricultor ignora as orientações. “O produtor pode ser orientado pelo melhor técnico do mundo, mas se não fizer sua parte nada acontecerá”, destaca. “O agricultor tem que estar ciente que a mudança depende dele”, complementa.

 

CENÁRIO

O representante da Cooperideal reforça que as oscilações no segmento lácteo são constantes. Segundo ele, sabendo disso, o produtor tem que estar preparado tanto nos bons quanto nos maus momentos. “Observamos, muitas vezes, que quando os preços melhoram muitos não estão agindo de forma apropriada e até se adequar a boa fase já passou”, comenta. “Por outro lado, tem que estar preparado para se manter na atividade nos momentos de dificuldade”, acrescenta. Isso, de acordo com Marcelo Rezende, é importante por que é muito difícil prever com exatidão quando o mercado estará em baixa ou em alta.

 

PRODUÇÃO VIÁVEL

Conforme Marcelo Rezende, as propriedades onde se aplicam os conceitos básicos em relação a eficiência da atividade normalmente conseguem maior rentabilidade em relação ao cultivo de grãos.  “O leite é uma atividade trabalhosa. Então, necessariamente, remunera mais”, assinala. Ele alerta, porém, que quando o serviço é mal feito, se trabalha mais e não se consegue atingir a renda esperada.

Para Rezende, o produtor deve deixar um pouco de lado a preocupação com os preços e buscar - junto à empresa que entrega o leite - mais conhecimento que é o que vai mudar a situação. “Muitas vezes ele fica brigando por fatores que não resultam em nada”, comenta. “Ao invés disso deveria cobrar uma assistência técnica de qualidade e um constante acompanhamento técnico”, acrescenta. “É nisso que o produtor deve se basear se quer ser eficiente e aumentar a renda”, complementa.

 

Participantes elogiam seminário

Todos que participaram enalteceram o seminário. Um deles foi o assentado Ademir da Silva. Ele mora no Assentamento José Maria, em Abelardo Luz, e vende a produção de leite à Cooperoeste há 11 anos.

Segundo ele, o evento foi muito importante, principalmente pelas orientações repassadas pelos palestrantes. “As explanações abrangeram toda a cadeia produtiva e proporcionaram novos conhecimentos”, disse. “Aprendi muitas coisas como, por exemplo, métodos para melhorar o solo, pastagens, genética e muito mais”, emenda.

O produtor revela que, aos poucos, aplicará as técnicas e tem certeza que a produção e a qualidade do leite aumentarão. “Todos os palestrantes comprovaram suas teses com dados e pesquisas. Então, com o acompanhamento técnico/veterinário, é só seguir o que foi repassado”, comenda, satisfeito, já prevendo o aumento da produção e qualidade do leite e, consequentemente, seu incremento financeiro. Para ele, eventos desse tipo deveriam acontecer mais vezes, pois em muito auxiliam os produtores.

Atualmente, na propriedade de Ademir da Silva, há 15 vacas em lactação, mas o rebanho é formado por 37 animais das raças Holandesa e Jersey. A produção média/mensal fica entre 12 mil e 13 mil litros.

O agricultor também cita o trabalho da Cooperoeste. “Para mim está tudo 100%. É uma empresa séria e parceira em todos os setores. Só tenho elogios e nada a reclamar”, enaltece.   

voltar
Rod. BR 163, Km 76, Lª Bela Vista das Flores
São Miguel do Oeste – SC | 89900-000
Fone/Fax: (49) 3631 0200
[email protected]
FALE CONOSCO
SAC 0800 644 3700
Atendimento de 2ª à 6ª feira das 8h às 17h