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Entrevista do mês/ agosto 2017
Quinta-feira, 10 de Agosto de 2017

O técnico agrícola da Cooperoeste, Alex da Rosa, explana sobre cuidados com a produção de leite, expectativa para os próximos meses e a importância da qualidade da produção de leite.

 -Quais os principais problemas de leite que o produtor de leite enfrenta nesta época do ano?

Alex: Os maiores problemas, especificamente neste ano, foram decorrentes pelo longo período de chuvas que aconteceram nos meses anteriores. Isso afetou muito a qualidade do pasto que não desenvolveu adequadamente. Tanto que, pelo certo, as vacas não deveriam ser soltas nas pastagens para não danificá-las. Isso não inclui as pastagens perenes, que acabam de se desenvolver. Os principais são o azevém e a aveia.

 -E os problemas depois das chuvas?

Alex: O maior problema é que ficou o chamado “cascão” - aveia seca -. Isso interferiu muito na produtividade no leite. É que as pastagens não cresceram. Por causa disso, a expectativa que tínhamos de aumento na produção de leite, que era de 20% a 30% não se confirmou.

 -Devido a essa situação quais foram os reflexos para o produtor e para a indústria?

Alex: Produtor e empresa deixaram de lucrar. O produtor poderia ter tido uma produção maior e a indústria industrializar mais, apesar que, atualmente, o momento não é favorável para as fábricas de lácteos. É importante salientar que um dos principais fatores que auxiliou para a baixa do preço do leite foi a elevada importação, principalmente da Argentina e do Uruguai. Isso em muito afetou a queda no valor do leite pago ao produtor e recebido pelas indústrias que tiveram prejuízos.

 -E em relação a qualidade do leite?

Alex: Estamos constatando muitos problemas de Contagem de Células Somáticas (CCS). Em relação a Contagem Bacteriana Total (CBT) percebemos que os produtores estão se adequando cada vez mais. A equipe técnica/veterinária seguidamente repassa orientações de ordenha e limpeza dos equipamentos. O problema maior é a CCS, pois não é de uma hora para outra para controlá-la. O que a gente indica é que o produtor, primeiramente, faça uma bisnaga à vaca seca - em todos animais que forem secos -, depois de tirar o leite deixar as vacas em pé, no mínimo, uma hora (preferencialmente comendo). Além disso, à noite largar os animais em pastos e não no barro onde é fácil de se adquirir mastite.

 -Cada vez mais se cobra qualidade. O produtor está ciente disso?

Alex: Muitos produtores estão conscientes. O que falta, em alguns casos, é conhecimento para que consiga melhorar. Um exemplo é a CCS. Acredito que a tendência é que a qualidade melhore cada vez mais, pois o mercado está cobrando cada vez mais. Vários produtores estão perdendo dinheiro por não melhorar a qualidade. Aliás, um dos maiores empecilhos que impedem que o Brasil exporte mais leite é, justamente, a qualidade. Tanto é que o país importa uma quantidade significativa e isso, como já dito, é uma das principais causas do produtor não receber um valor maior pelo leite. E isso também afeta diretamente as indústrias lácteas.

 

-E qual a sua previsão para os próximos meses?

Alex: Torcemos para que o tempo colabore. Também esperamos que os produtores se previnam, principalmente nos intervalos de pasto - de inverno para verão -, pois, geralmente, cai muito a produção por causa dos  intervalos de pasto realizados inadequadamente. Igualmente recomendamos que plantem um pasto de boa qualidade e tenham atenção com a silagem.

 

-Em relação aos intervalos de pasto qual a recomendação?

Alex: Em setembro as pastagens de inverno começam a acabar. Às vezes as pastagens de verão não crescem como deveriam por que dependem do calor. Importante lembrar que hoje temos tecnologias como o sorgo pastejo e aveia de verão. Quanto ao sorgo pastejo temos novas tecnologias. Se os produtores tiverem dúvidas é só entrar em contato com a equipe técnica/veterinária.

 

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